Volatilidade realizada × implícita
Existem duas volatilidades e elas respondem a perguntas diferentes. A realizada olha para trás: quanto o ativo efetivamente oscilou. A implícita olha para frente: quanto o mercado está cobrando por oscilações que ainda não aconteceram. Comparar as duas é o jeito mais direto de saber se o seguro está caro ou barato em relação ao que o ativo vem entregando.
Como se calcula a realizada
Pegue os retornos diários do ativo numa janela, por exemplo os últimos 21 pregões (cerca de um mês). Calcule o desvio-padrão desses retornos. Esse é o desvio-padrão diário.
Para comparar com a IV, que é anual, multiplique pela raiz quadrada do número de pregões no ano. A convenção mais usada é 252 pregões, e a raiz de 252 é cerca de 15,87. Um desvio-padrão diário de 1% vira uma volatilidade realizada anualizada de cerca de 15,9%.
A janela muda a resposta. Uma janela de 10 dias reage rápido e é nervosa; uma de 60 dias é mais estável e demora para perceber mudanças. Por isso a realizada sempre vem com o prazo junto: HV10, HV30 e assim por diante (HV de historical volatility).
Olhar para trás × olhar para frente
A realizada é um fato: já aconteceu, e qualquer pessoa com os preços chega ao mesmo número. A implícita é um preço: depende de quem está comprando e vendendo proteção agora.
As duas podem divergir bastante. Às vésperas de um balanço, a realizada pode estar baixa (o papel andou de lado) e a implícita alta (o mercado sabe que vem um evento). Depois de um choque, a realizada fica alta por algumas semanas, mesmo que a implícita já tenha começado a ceder.
O prêmio de risco de volatilidade
É comum a implícita ficar acima da realizada que vem depois. A explicação é a mesma do seguro: quem compra proteção aceita pagar um pouco a mais do que o dano médio esperado, porque o que quer evitar é o dano grande. Essa folga é chamada de prêmio de risco de volatilidade.
É dessa folga que o vendedor de opções tenta viver. Não é uma regra fixa nem um número garantido: há períodos em que a realizada supera a implícita, e nesses períodos quem vendeu seguro paga a conta. Um choque raro pode consumir de uma vez a folga de muitas operações, e é por isso que tamanho de posição importa mais que a folga.
Lendo a diferença na prática
Três situações aparecem o tempo todo. Cada uma pede uma pergunta diferente antes de qualquer decisão.
- Implícita bem acima da realizada, sem evento à vista: o seguro está caro em relação ao que o ativo vem entregando. Vale investigar se há notícia que você ainda não viu.
- Implícita bem acima da realizada, com evento marcado: é o esperado. O prêmio extra paga o risco do evento, não é sobra.
- Implícita abaixo da realizada: o seguro está barato em relação à agitação recente. Para o vendedor, a compensação pelo risco é pequena.
Como isso aparece no Derivoo
Na B3, o Derivoo trabalha com a IV no dinheiro, calculada a partir da cadeia de opções no fim do dia. Nos EUA, enquanto o produto não tem a cadeia nativa, o contexto de volatilidade usa a realizada de 30 dias como aproximação.
Isso tem uma consequência honesta: no mercado americano, a tela mostra o quanto o papel tem oscilado, não o quanto o seguro está custando. As duas coisas costumam andar juntas, mas descolam justamente perto de eventos. Antes de agir num papel americano, confira a IV real na sua corretora.
Previsão × pluviômetro em números (ilustrativo)
Conclusão: A mesma IV de 28% foi cara num cenário e barata no outro. Quem vende opção não sabe qual cenário virá; por isso a Folha de Mesa limita o tamanho de cada operação (1–3% da conta em risco definido, até 5% em indefinido), para que nenhum cenário isolado decida o resultado.
Na B3, a IV no dinheiro do Derivoo vem da cadeia de opções no fim do pregão. A realizada pode ser calculada para qualquer ação com histórico de preços, mesmo as que têm opções pouco negociadas.
Nos EUA, o Derivoo usa hoje a volatilidade realizada de 30 dias como aproximação do contexto de volatilidade. É útil, mas não substitui a IV da cadeia, que você encontra na sua corretora.
- Tratar a realizada como previsão. Ela descreve o passado, e o passado recente pode ser enganosamente calmo antes de um evento.
- Comparar realizada de 10 dias com IV de 45 dias como se medissem o mesmo prazo.
- Ver a implícita acima da realizada e concluir que há “dinheiro sobrando”. Muitas vezes é o preço de um evento conhecido.
- Esquecer que um único choque pode apagar a folga acumulada em várias operações.
- Realizada = quanto oscilou. Implícita = quanto o mercado cobra pelo que pode oscilar.
- Desvio diário × √252 converte a realizada para base anual.
- A implícita costuma ficar acima da realizada, mas não sempre.
- Diferença grande sem evento à vista pede investigação, não pressa.
- No Derivoo, a tela dos EUA mostra realizada de 30 dias como aproximação, não a IV da cadeia.
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Revisado em 04/10/2026
Conteúdo educacional e matemático. Exemplos com valores hipotéticos; ações citadas são fictícias e índices reais aparecem com níveis ilustrativos. Não constitui recomendação de investimento, consultoria ou gestão de carteira (CVM/SEC). Veja o Aviso de Riscos.
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