Short Strangle
Venda de uma put abaixo e de uma call acima do preço, no mesmo vencimento. Recebe prêmio dos dois lados e ganha enquanto o ativo fica dentro da faixa — com risco indefinido.
O que é
Imagine uma seguradora que vende duas apólices: uma contra enchente e outra contra seca. Se o clima ficar dentro do normal, ela fica com os dois pagamentos. O Short Strangle é essa dupla de apólices sobre o preço de uma ação.
Vende-se uma put fora do dinheiro e uma call fora do dinheiro, no mesmo vencimento. O crédito total é o ganho máximo; não existe perna comprada limitando a perda.
Como funciona
Os dois strikes ficam afastados do preço atual, normalmente na região de delta 16 a 20 de cada lado.
O crédito das duas vendas entra na abertura.
Se o ativo terminar entre os strikes, as duas opções vencem sem valor e o crédito inteiro fica com o vendedor.
Se o ativo romper um dos lados além do crédito recebido, o prejuízo cresce sem teto na alta e até o ativo valer zero na queda.
Payoff ilustrativo no vencimento
Curva ilustrativa com prêmios hipotéticos, apenas para estudo da mecânica. Não representa cotações reais nem recomendação.
Ambiente de volatilidade
Estudada com IV Rank acima de 30, quando o seguro está caro e o crédito compensa melhor o risco. Com IV baixa, o prêmio fica pequeno demais para um risco que continua indefinido.
Gestão mecânica
- 1Entrada com cerca de 45 DTE e strikes na faixa de delta 16 a 20, só com IV Rank acima de 30.
- 2Porta 1: recomprar a dupla quando o ganho chegar a 50% do crédito recebido.
- 3Porta 2: com 21 DTE, fechar ou rolar para o ciclo seguinte, ganhando ou perdendo.
- 4Porta 3: fechar se a perda chegar a 2× o crédito. Porta 4: com um strike testado, rolar o lado não testado por crédito — nunca pagar débito no lado atacado.
- 5Sizing de risco indefinido: no máximo 5% da conta comprometidos na posição.
Regras da Folha de Mesa do Derivoo: disciplina mecânica para decidir antes de abrir, não promessa de resultado.
Exemplo ilustrativo
Ativo fictício XYZ a US$ 100. Vende put 90 por US$ 1,50 e call 110 por US$ 1,50, com cerca de 45 DTE (ilustrativo).
- Lucro máximo
- US$ 300 — o crédito total recebido
- Perda máxima
- Ilimitada na alta; na queda, até US$ 8.700 se o ativo for a zero ((90 − 3) × 100)
- Breakeven
- US$ 87 (strike da put − crédito) e US$ 113 (strike da call + crédito)
Vantagens
- Crédito dos dois lados
- Faixa de lucro larga
- Theta positivo forte
Desvantagens
- Risco indefinido
- Margem alta e variável
- Vulnerável a gaps e eventos
Riscos
- Risco indefinido: um salto forte na alta não tem limite de perda, e uma queda forte se comporta como ter comprado 100 ações no strike da put.
- Gaps (abertura muito acima ou abaixo do fechamento anterior) pulam o stop e podem levar a perda bem maior que o planejado.
- Exige margem relevante, que pode aumentar justamente quando o mercado fica nervoso.
Na B3 e nos EUA
- Na B3, vender opção sem cobertura — a call sem as ações, a put sem caixa — exige garantia depositada. A margem é calculada pela B3, muda com a volatilidade, e a corretora pode pedir mais que o mínimo.
- As puts de ações na B3 são europeias, então o lado da put não sofre exercício antes do vencimento. Já a call pode ser americana, conforme a série.
- Strikes de delta 16 costumam ter pouca liquidez em muitos ativos brasileiros. Spread largo na entrada e na saída pode tornar a estrutura inviável.
- Vender opções a descoberto costuma exigir o nível mais alto de aprovação na corretora americana. Pelas regras da FINRA, ela levanta experiência, situação financeira e objetivos do cliente antes de liberar; a numeração dos níveis varia de corretora para corretora.
- Calls americanas vendidas podem ser exercidas antes do vencimento, sobretudo na véspera da data ex de um dividendo.
- ETFs de índice com cadeias muito líquidas facilitam a execução; ações isoladas trazem risco de gap em balanços.
Erros comuns
- Abrir em ação com balanço antes do vencimento sem perceber: o evento pode levar o preço muito além da faixa num único dia.
- Ignorar o tamanho: um strangle que ocupa uma fatia grande da conta transforma um dia ruim num problema sério.
- Rolar o lado atacado pagando débito para “não realizar o prejuízo” — o contrário da Porta 4.
Perguntas frequentes
Qual a diferença para o Iron Condor?
O Iron Condor é um strangle com asas compradas, que limitam a perda. Recebe menos crédito, mas o pior cenário é conhecido antes de abrir. O strangle recebe mais e não tem esse limite.
Por que sair com 50% do crédito e não esperar o vencimento?
Porque a segunda metade do prêmio é a mais arriscada de buscar: o gamma cresce perto do vencimento e um movimento pequeno pode apagar semanas de ganho. Na Folha de Mesa, 50% é a regra de saída — disciplina, não promessa de resultado.
O que fazer se o preço encostar em um dos strikes?
A Porta 4 da Folha de Mesa é rolar o lado não testado para mais perto do preço, sempre por crédito. Isso aumenta o prêmio total e afasta o break-even do lado atacado, mas estreita a faixa.
Conteúdo estritamente educacional (CVM/SEC). O Derivoo não presta consultoria nem recomendação de valores mobiliários; os números apresentados são ilustrativos. Leia compliance e riscos.

