Porta 1: realizar com 50% do crédito
Quem vende opção recebe o prêmio na entrada; esse é o lucro máximo. A pergunta é quando devolver o que sobrou. A Folha de Mesa do Derivoo responde com uma regra fixa, a Porta 1: recomprar a posição quando o lucro atingir 50% do crédito recebido, ou 25% no caso do straddle vendido. Esta aula explica o raciocínio por trás do número — e por que segurar até o último centavo costuma ser uma troca ruim.
A conta assimétrica do resto
Imagine que você recebeu US$ 1,00 de crédito e a posição já vale US$ 0,50. Para ganhar os US$ 0,50 restantes, você precisa manter aberta uma posição cujo risco de perda continua praticamente o mesmo do primeiro dia. Metade da recompensa foi embora; o risco, não.
Essa é a assimetria que a Porta 1 corta. Depois do alvo, cada dia extra rende pouco e expõe muito. Recomprar transforma um ganho de papel em ganho realizado e zera o risco daquela posição.
Menos tempo exposto, mais giro
Uma posição encerrada não sofre com salto de abertura, notícia inesperada ou alta da volatilidade. Quanto menos dias o dinheiro passa exposto, menos chances o mercado tem de surpreender.
O capital (ou a margem) liberado volta para novas operações em outros ativos e vencimentos. Em vez de uma posição esticada até o fim, o portfólio passa a ter várias ocorrências menores e independentes. Como o resultado de uma operação isolada depende muito do acaso, é a soma de muitas ocorrências pequenas que deixa a regra se mostrar.
Por que não 90%, nem 20%
Esperar 90% do crédito significa ficar até muito perto do vencimento, na zona de gamma alto, para buscar os últimos centavos. E os últimos centavos são os mais caros de conseguir: perto do fim, o spread entre compra e venda e os custos podem comer boa parte deles.
Fechar com 20% libera cedo demais: o ganho por operação fica pequeno e os custos de corretagem e emolumentos passam a pesar muito em proporção. O alvo de 50% é um meio-termo de equilíbrio adotado como regra. Não é o único possível; é o que a Folha de Mesa usa, sempre igual.
O caso do straddle: 25%
No straddle vendido, call e put são vendidas no mesmo strike, no dinheiro. O crédito é grande, mas o lucro máximo só aconteceria se o ativo terminasse exatamente no strike — o que quase nunca acontece. Qualquer movimento já tira parte do ganho.
Por isso a Folha de Mesa usa um alvo menor para essa estrutura: 25% do crédito. Como o crédito é grande, 25% dele já é um valor relevante, e o alvo menor reduz o tempo em que a posição fica exposta a um movimento que a atravesse.
Na prática: deixe a ordem pronta
Logo depois de abrir, dá para registrar uma ordem limitada de recompra pelo preço do alvo, válida até ser cancelada (o nome varia por corretora). Assim a Porta 1 se executa sozinha, sem depender de você olhar a tela na hora certa.
Confira três coisas: se a ordem cobre todas as pernas da estrutura (num spread ou condor, a ordem deve ser combinada), se o preço foi calculado sobre o crédito líquido efetivamente recebido e se a sua corretora mantém esse tipo de ordem de um dia para o outro. Em estruturas de débito (compra de spreads, calendários), a lógica de alvo é outra; veja a ficha de cada estratégia.
Ilustrativo: a Porta 1 num iron condor de XYZ
Conclusão: Depois do alvo, a posição passa a arriscar muito para ganhar pouco. A Porta 1 encerra antes que essa conta piore. Números hipotéticos, sem custos.
- Cancelar a ordem de alvo porque “está indo tão bem” e devolver o ganho num movimento contra.
- Calcular o alvo sobre o crédito bruto de uma perna, esquecendo o custo das pernas compradas.
- Fechar vencedores muito pequenos sem considerar que os custos podem consumir o ganho.
- Usar 50% no straddle, onde a Folha de Mesa pede 25%.
- Porta 1: recomprar ao capturar 50% do crédito (25% em straddle).
- Depois do alvo, sobra pouca recompensa e quase todo o risco.
- Fechar cedo reduz tempo exposto e libera capital para novas ocorrências.
- Deixe a ordem de recompra posicionada logo após abrir.
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Conteúdo educacional e matemático. Exemplos com valores hipotéticos; ações citadas são fictícias e índices reais aparecem com níveis ilustrativos. Não constitui recomendação de investimento, consultoria ou gestão de carteira (CVM/SEC). Veja o Aviso de Riscos.
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