Gregas e mecânica do vendedor · Aula 6 de 9

As quatro portas de saída

IntermediárioBrasilEUAB3 e EUA10 min de leitura

Uma operação só é mecânica se a saída estiver decidida antes da abertura. A Folha de Mesa do Derivoo organiza isso em quatro portas, cada uma para uma situação: o lucro chegou, o tempo acabou, a perda passou do limite ou um dos lados foi atacado. A posição sai pela primeira porta que abrir. As regras são de disciplina, não de previsão — e servem justamente para que a decisão difícil já esteja tomada quando o mercado apertar.

Porta 1 — Lucro: 50% do crédito (25% em straddle)

Quando a posição captura metade do crédito recebido, recompra-se tudo. No straddle vendido, o alvo é 25%, porque o crédito é grande e o lucro máximo só viria com o ativo cravado no strike.

A lógica é a da aula sobre a Porta 1: depois do alvo, o que sobra para ganhar é pequeno e o risco segue quase inteiro. A Porta 1 é a única que se pode deixar automatizada desde o primeiro minuto, com uma ordem de recompra no preço do alvo.

Porta 2 — Tempo: 21 DTE, ganhando ou perdendo

Se faltarem 21 dias para o vencimento e nenhuma outra porta tiver aberto, a posição é fechada ou rolada para o próximo ciclo perto de 45 dias. Não importa se está no lucro ou no prejuízo.

O motivo é o gamma: a partir daí, a posição fica muito mais sensível a movimentos. A Porta 2 é o limite final de calendário — a posição nunca chega à reta final por inércia. Rolar só faz sentido por crédito e se a volatilidade do ativo ainda justificar a venda (IV Rank acima de 30).

Porta 3 — Perda: 2× o crédito recebido

Se o prejuízo da posição chegar a duas vezes o crédito recebido, ela é encerrada. Na prática, se você recebeu R$ 1,00, a porta abre quando recomprar custaria R$ 3,00 (R$ 1,00 recebido − R$ 3,00 pagos = prejuízo de R$ 2,00).

Essa porta é aritmética, não opinião. Ela existe para que uma única operação não apague o resultado de várias outras. Não se aumenta o tamanho para “baixar o preço médio” e não se espera recuperar: o limite foi definido antes, com a cabeça fria.

Porta 4 — Defesa: rolar o lado não testado, só por crédito

Em estruturas com dois lados (strangle, iron condor), quando o preço se aproxima de um dos strikes vendidos, esse lado foi “testado”. A defesa da Folha de Mesa é rolar o lado oposto, o não testado, para mais perto do preço, sempre recebendo crédito.

Esse crédito novo reduz o delta da posição e afasta o ponto de equilíbrio do lado ameaçado. A regra tem um “nunca” claro: nunca pagar débito para mexer no lado atacado. Pagar para empurrar o problema aumenta o risco sem coletar prêmio — é gastar dinheiro para continuar exposto.

A ordem das portas e as exceções

As portas não competem entre si: vale a primeira que abrir. Uma posição pode bater o alvo no décimo dia (Porta 1), chegar aos 21 DTE sem nada acontecer (Porta 2) ou levar um tranco na segunda semana (Porta 4 e, se não bastar, Porta 3).

Em risco definido pequeno — um spread estreito, por exemplo — muitas vezes não há o que defender: a perda máxima já foi aceita na entrada, e a Porta 3 ou a 2 resolvem. A defesa faz mais sentido em estruturas de dois lados com espaço para coletar crédito no lado oposto.

  • P1 Lucro: ≥ 50% do crédito (straddle: 25%).
  • P2 Tempo: 21 DTE, fecha ou rola por crédito.
  • P3 Perda: prejuízo de 2× o crédito, fecha.
  • P4 Defesa: rola o lado não testado, por crédito; nunca débito no lado atacado.

Escreva as portas antes de abrir

Antes de enviar a ordem, anote quatro números: o preço de recompra da Porta 1, a data da Porta 2, o preço de recompra da Porta 3 e os strikes que, se tocados, acionam a Porta 4. Se algum deles não puder ser calculado, a operação não está pronta.

Esse hábito faz o diário de operações ficar útil: no fim de cada posição, a pergunta deixa de ser “ganhei ou perdi?” e passa a ser “saí pela porta certa?”. É essa a métrica que se controla.

Exemplo ilustrativo
Valores hipotéticos

Ilustrativo: as quatro portas de um strangle de XYZ

Hipótese: XYZ a US$ 100. Venda da put 90 por 1,50 e da call 110 por 1,50, a 45 DTE. Crédito total US$ 3,00 (US$ 300).
P1: recompra do conjunto a 3,00 × 0,5 = US$ 1,50 → lucro de US$ 150.
P2: no dia em que faltarem 21 DTE (24 dias após a abertura), fecha ou rola por crédito.
P3: prejuízo de 2 × 3,00 = 6,00 → recompra do conjunto a US$ 9,00 → prejuízo de US$ 600.
P4: XYZ sobe a 108; a call 110 é o lado testado. Rolar a put (lado não testado) para mais perto, por crédito; não pagar débito na call.
Pontos de equilíbrio na abertura: 90 − 3,00 = US$ 87,00 e 110 + 3,00 = US$ 113,00.

Conclusão: Com quatro números escritos antes da entrada, cada movimento do mercado tem uma resposta pronta. Valores hipotéticos, sem custos; a defesa da Porta 4 está detalhada na aula de rolagem.

Erros comuns
  • Mover o stop da Porta 3 “só desta vez” depois que a perda já passou do limite.
  • Defender o lado atacado pagando débito, o que a Porta 4 proíbe.
  • Esquecer a Porta 2 numa posição perdedora para esperar recuperação.
  • Abrir a operação sem ter calculado os preços de recompra das portas 1 e 3.
Para levar
  • P1 Lucro 50% (25% em straddle), P2 Tempo 21 DTE, P3 Perda 2× o crédito, P4 Defesa por crédito.
  • Vale a primeira porta que abrir.
  • A Porta 4 rola o lado não testado e nunca paga débito no lado atacado.
  • Se não dá para escrever as quatro portas antes, a operação não está pronta.
Teste seu entendimento

4 perguntas · 0 respondidas

Pergunta 1
Pergunta 1 de 4

Crédito recebido: R$ 1,20. A partir de qual preço de recompra a Porta 3 abre?

Terminou a leitura? Marque a aula para acompanhar seu avanço na trilha.

Termos desta aula
Estratégias que usam este conceito

Conteúdo educacional e matemático. Exemplos com valores hipotéticos; ações citadas são fictícias e índices reais aparecem com níveis ilustrativos. Não constitui recomendação de investimento, consultoria ou gestão de carteira (CVM/SEC). Veja o Aviso de Riscos.

Veja este conceito com dados reais no simulador — e, se travar, converse com o acompanhamento.

Começar Agora