As quatro portas de saída
Uma operação só é mecânica se a saída estiver decidida antes da abertura. A Folha de Mesa do Derivoo organiza isso em quatro portas, cada uma para uma situação: o lucro chegou, o tempo acabou, a perda passou do limite ou um dos lados foi atacado. A posição sai pela primeira porta que abrir. As regras são de disciplina, não de previsão — e servem justamente para que a decisão difícil já esteja tomada quando o mercado apertar.
Porta 1 — Lucro: 50% do crédito (25% em straddle)
Quando a posição captura metade do crédito recebido, recompra-se tudo. No straddle vendido, o alvo é 25%, porque o crédito é grande e o lucro máximo só viria com o ativo cravado no strike.
A lógica é a da aula sobre a Porta 1: depois do alvo, o que sobra para ganhar é pequeno e o risco segue quase inteiro. A Porta 1 é a única que se pode deixar automatizada desde o primeiro minuto, com uma ordem de recompra no preço do alvo.
Porta 2 — Tempo: 21 DTE, ganhando ou perdendo
Se faltarem 21 dias para o vencimento e nenhuma outra porta tiver aberto, a posição é fechada ou rolada para o próximo ciclo perto de 45 dias. Não importa se está no lucro ou no prejuízo.
O motivo é o gamma: a partir daí, a posição fica muito mais sensível a movimentos. A Porta 2 é o limite final de calendário — a posição nunca chega à reta final por inércia. Rolar só faz sentido por crédito e se a volatilidade do ativo ainda justificar a venda (IV Rank acima de 30).
Porta 3 — Perda: 2× o crédito recebido
Se o prejuízo da posição chegar a duas vezes o crédito recebido, ela é encerrada. Na prática, se você recebeu R$ 1,00, a porta abre quando recomprar custaria R$ 3,00 (R$ 1,00 recebido − R$ 3,00 pagos = prejuízo de R$ 2,00).
Essa porta é aritmética, não opinião. Ela existe para que uma única operação não apague o resultado de várias outras. Não se aumenta o tamanho para “baixar o preço médio” e não se espera recuperar: o limite foi definido antes, com a cabeça fria.
Porta 4 — Defesa: rolar o lado não testado, só por crédito
Em estruturas com dois lados (strangle, iron condor), quando o preço se aproxima de um dos strikes vendidos, esse lado foi “testado”. A defesa da Folha de Mesa é rolar o lado oposto, o não testado, para mais perto do preço, sempre recebendo crédito.
Esse crédito novo reduz o delta da posição e afasta o ponto de equilíbrio do lado ameaçado. A regra tem um “nunca” claro: nunca pagar débito para mexer no lado atacado. Pagar para empurrar o problema aumenta o risco sem coletar prêmio — é gastar dinheiro para continuar exposto.
A ordem das portas e as exceções
As portas não competem entre si: vale a primeira que abrir. Uma posição pode bater o alvo no décimo dia (Porta 1), chegar aos 21 DTE sem nada acontecer (Porta 2) ou levar um tranco na segunda semana (Porta 4 e, se não bastar, Porta 3).
Em risco definido pequeno — um spread estreito, por exemplo — muitas vezes não há o que defender: a perda máxima já foi aceita na entrada, e a Porta 3 ou a 2 resolvem. A defesa faz mais sentido em estruturas de dois lados com espaço para coletar crédito no lado oposto.
- P1 Lucro: ≥ 50% do crédito (straddle: 25%).
- P2 Tempo: 21 DTE, fecha ou rola por crédito.
- P3 Perda: prejuízo de 2× o crédito, fecha.
- P4 Defesa: rola o lado não testado, por crédito; nunca débito no lado atacado.
Escreva as portas antes de abrir
Antes de enviar a ordem, anote quatro números: o preço de recompra da Porta 1, a data da Porta 2, o preço de recompra da Porta 3 e os strikes que, se tocados, acionam a Porta 4. Se algum deles não puder ser calculado, a operação não está pronta.
Esse hábito faz o diário de operações ficar útil: no fim de cada posição, a pergunta deixa de ser “ganhei ou perdi?” e passa a ser “saí pela porta certa?”. É essa a métrica que se controla.
Ilustrativo: as quatro portas de um strangle de XYZ
Conclusão: Com quatro números escritos antes da entrada, cada movimento do mercado tem uma resposta pronta. Valores hipotéticos, sem custos; a defesa da Porta 4 está detalhada na aula de rolagem.
- Mover o stop da Porta 3 “só desta vez” depois que a perda já passou do limite.
- Defender o lado atacado pagando débito, o que a Porta 4 proíbe.
- Esquecer a Porta 2 numa posição perdedora para esperar recuperação.
- Abrir a operação sem ter calculado os preços de recompra das portas 1 e 3.
- P1 Lucro 50% (25% em straddle), P2 Tempo 21 DTE, P3 Perda 2× o crédito, P4 Defesa por crédito.
- Vale a primeira porta que abrir.
- A Porta 4 rola o lado não testado e nunca paga débito no lado atacado.
- Se não dá para escrever as quatro portas antes, a operação não está pronta.
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Conteúdo educacional e matemático. Exemplos com valores hipotéticos; ações citadas são fictícias e índices reais aparecem com níveis ilustrativos. Não constitui recomendação de investimento, consultoria ou gestão de carteira (CVM/SEC). Veja o Aviso de Riscos.
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