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IntermediárioNeutro · 1 opção curta vendida + 1 opção longa comprada, mesmo strike, vencimentos diferentes

Calendar Spread

Vende uma opção de vencimento próximo e compra outra do mesmo strike com vencimento mais longo. Aproveita a diferença de velocidade com que o tempo corrói cada uma.

O que é

Pense em dois ingressos para o mesmo show, um para a sessão desta semana e outro para a sessão do mês que vem. O desta semana perde valor muito mais rápido. Quem vende o de agora e guarda o do mês seguinte lucra com essa diferença de ritmo.

O Calendar (ou trava horizontal) é montado por débito: a opção longa custa mais que a curta. O ganho vem de o ativo ficar perto do strike enquanto a opção curta derrete.

Como funciona

Vende-se uma call (ou put) com vencimento próximo e compra-se a mesma opção, no mesmo strike, com vencimento posterior.

Paga-se a diferença entre os prêmios — esse débito é, em geral, o máximo que se pode perder.

No vencimento da opção curta, o melhor cenário é o ativo exatamente no strike: a curta vence sem valor e a longa ainda guarda valor extrínseco.

Longe do strike, para qualquer lado, as duas opções tendem a valer quase o mesmo e a estrutura perde valor.

Payoff

As duas pernas vencem em datas diferentes. No vencimento da opção curta, a longa ainda está viva e seu valor depende da volatilidade implícita e do tempo restante — não só do preço do ativo. Um gráfico de vencimento único trataria as duas como se morressem juntas e mostraria um resultado que não existe. Para ver o perfil real, use o simulador com a data do vencimento curto.

Ambiente de volatilidade

Costuma ser estudada com IV Rank baixo (abaixo de 30), porque a estrutura é comprada em vega: ganha se a volatilidade subir depois da abertura.

Gestão mecânica

  1. 1Risco definido: o débito pago entra no limite de 1% a 3% da conta por posição.
  2. 2Encerrar a estrutura inteira antes do vencimento da opção curta — nunca deixar a curta vencer dentro do dinheiro com a longa ainda aberta.
  3. 3Alvo e saída definidos em fração do débito antes da abertura e anotados no diário. Como não há crédito, a regra de 50% do crédito da Folha de Mesa não se aplica diretamente.
  4. 4Se o ativo se afastar a ponto de o débito restante ser pequeno, fechar e liberar o capital em vez de esperar uma volta.

Regras da Folha de Mesa do Derivoo: disciplina mecânica para decidir antes de abrir, não promessa de resultado.

Exemplo ilustrativo

Ativo fictício XYZ a US$ 100. Vende call 100 de 30 dias por US$ 2,00 e compra call 100 de 60 dias por US$ 2,80 (ilustrativo, mesma volatilidade nos dois prazos).

Débito líquido: US$ 2,80 − US$ 2,00 = US$ 0,80 × 100 = US$ 80
Por que a de 60 dias não custa o dobro: com a mesma volatilidade, o preço no dinheiro cresce mais ou menos com a raiz do prazo. Dobrar o prazo multiplica por √2 ≈ 1,41 → US$ 2,00 × 1,41 ≈ US$ 2,80
Se no vencimento curto o ativo estiver em US$ 100 e a IV não tiver mudado: a curta vence sem valor e a longa, agora com 30 dias, vale perto de US$ 2,00 — o mesmo que a curta custava na abertura → resultado aproximado de US$ 200 − US$ 80 = US$ 120
Mesmo cenário, mas com a IV da longa caindo: ela vale menos que US$ 2,00 e o resultado encolhe, mesmo com o ativo parado no strike
Se o ativo estiver muito longe de 100: as duas valeriam quase o mesmo e o débito se perde quase inteiro
Lucro máximo
Não é fixo: depende da volatilidade implícita da opção longa no vencimento da curta
Perda máxima
Em geral o débito pago, US$ 80 (sem contar exercício antecipado da curta)
Breakeven
Não há número fixo: muda com a volatilidade implícita e o tempo restante da opção longa

Vantagens

  • Perda máxima em geral limitada ao débito
  • Theta positivo pagando pouco
  • Vega positivo, raro entre estruturas de theta positivo

Desvantagens

  • Ganho máximo incerto
  • Sensível a quedas de IV na perna longa
  • Faixa de lucro estreita

Riscos

  • Movimento forte em qualquer direção afasta o ativo do strike e consome o débito.
  • Queda da volatilidade implícita da opção longa reduz o valor da estrutura, mesmo com o ativo parado.
  • A opção curta pode ser exercida antes do vencimento (se for americana), deixando a posição temporariamente desbalanceada.

Na B3 e nos EUA

BrasilNa B3
  • Na B3, os vencimentos mensais de opções de ações caem na terceira sexta-feira. Os ativos mais líquidos também têm opções semanais, o que amplia as combinações de prazos — confira na B3 quais ativos têm semanais hoje.
  • A liquidez de vencimentos mais longos costuma ser bem menor que a do mês corrente. A perna longa pode ter spread largo.
  • Calls de ações podem ser americanas: a curta vendida pode sofrer exercício antes do vencimento.
EUANos EUA
  • Nos EUA há vencimentos semanais e mensais em muitos ativos, o que facilita montar o calendário com prazos precisos.
  • Exige aprovação para spreads na corretora americana.
  • Com opções americanas, a curta pode ser exercida antes, especialmente na véspera de dividendo. Opções de índice europeias evitam esse problema.

Erros comuns

  • Montar o calendário com a perna longa de IV muito inflada (por exemplo, englobando um balanço) e ver a IV desabar depois do evento.
  • Tratar o calendário como trava de risco totalmente fixo e esquecer o risco de exercício na perna curta.

Perguntas frequentes

Por que o gráfico de payoff não aparece aqui?

Porque as pernas vencem em datas diferentes. O valor da opção longa no vencimento da curta depende de volatilidade e tempo, não só do preço. Um gráfico de vencimento único seria enganoso.

Calendar com call ou com put?

Montado no mesmo strike ATM, o perfil é muito parecido. A escolha costuma depender de liquidez, do skew e, nos EUA, do risco de exercício antecipado perto de dividendos.

Conteúdo estritamente educacional (CVM/SEC). O Derivoo não presta consultoria nem recomendação de valores mobiliários; os números apresentados são ilustrativos. Leia compliance e riscos.