Gregas e mecânica do vendedor · Aula 2 de 9

Theta: o tempo trabalhando

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Theta é a grega do tempo: quanto a opção perde por dia, se preço e volatilidade ficarem parados. Para quem vende, é a receita diária da posição. Entender a forma da curva de theta explica quase toda a mecânica de calendário da Folha de Mesa — por que entrar perto de 45 dias, por que sair aos 21 e por que vencimentos curtíssimos são outro jogo.

O que derrete e o que não derrete

O prêmio de uma opção tem duas partes. O valor intrínseco é o que ela valeria se vencesse agora (quanto está dentro do dinheiro). O valor extrínseco é o resto: o preço da possibilidade de algo mudar até o vencimento. Theta age só sobre o extrínseco.

Uma opção bem fora do dinheiro é 100% extrínseca: todo o prêmio está sujeito ao desgaste. Uma opção muito dentro do dinheiro é quase toda intrínseca: tem pouco a derreter. Por isso o vendedor de prêmio trabalha, em geral, com opções fora do dinheiro ou perto dele — é ali que está o valor de tempo a ser recolhido.

A curva não é uma reta

No modelo clássico de precificação, o valor de tempo de uma opção no dinheiro é aproximadamente proporcional à raiz quadrada do tempo que falta. Isso significa que ele não cai o mesmo tanto por dia: cai devagar no começo e cada vez mais rápido no fim.

Na prática, a opção perde menos por dia aos 60 dias do que aos 20, e muito mais por dia na última semana. É a mesma lógica do ingresso: a semana do show pesa mais que um mês qualquer meses antes. A conta do exemplo desta aula mostra a diferença em números.

Theta muda com a distância do strike

Em reais, o theta é maior nas opções no dinheiro, porque é ali que existe mais valor extrínseco para derreter. Opções muito fora do dinheiro têm theta pequeno em reais, porque já valem pouco.

Perto do vencimento, a diferença se acentua. A opção no dinheiro concentra o derretimento nos últimos dias. A opção bem fora do dinheiro tende a ter perdido a maior parte do valor antes, e seu theta em reais vai encolhendo junto com o prêmio. Quem vende delta 16–20, como manda a Folha de Mesa, recolhe um theta menor por contrato do que quem vende no dinheiro, em troca de mais folga de preço.

Theta é o pagamento pelo risco de movimento

Theta alto nunca é dinheiro grátis. As mesmas opções que derretem mais rápido — no dinheiro e perto do vencimento — são as que têm gamma mais alto, ou seja, as que mais mudam de comportamento quando o ativo se mexe.

O mercado cobra coerência: se o seguro paga muito por dia, é porque o risco de sinistro por dia também é alto. A arte do vendedor não é maximizar theta, e sim escolher a faixa em que o theta recebido compensa o gamma assumido. É o argumento do ciclo 45/21.

Theta, volatilidade e calendário

Com volatilidade implícita alta, o prêmio é maior e o theta em reais também. Mas theta não age sozinho: se a implícita sobe depois da venda, a perda por vega pode superar dias de theta. Theta é um vento constante; vega e delta são rajadas.

As plataformas também diferem na contagem de dias — algumas usam dias corridos, outras dias úteis. Isso muda como o theta aparece numa sexta-feira ou antes de um feriado. O ponto prático: não espere que o preço “dê um salto” na segunda-feira só porque passou o fim de semana; o mercado costuma antecipar esse tempo nos preços.

Exemplo ilustrativo
Valores hipotéticos

Ilustrativo: quanto o tempo leva em cada trecho do caminho

Hipótese: opção no dinheiro de XYZ, ação parada e IV constante. Aos 45 dias, o prêmio é US$ 2,00, todo extrínseco.
Pela aproximação da raiz do tempo: valor aos 21 dias ≈ 2,00 × √(21/45) = 2,00 × 0,683 ≈ US$ 1,37.
Trecho de 45 a 21 dias (24 dias): perda de 2,00 − 1,37 = US$ 0,63, cerca de US$ 0,026 por dia.
Trecho de 21 dias ao vencimento (21 dias): perda de US$ 1,37, cerca de US$ 0,065 por dia.
Aos 7 dias, o valor seria ≈ 2,00 × √(7/45) = 2,00 × 0,394 ≈ US$ 0,79.
Em contrato de 100 ações: US$ 63 no primeiro trecho contra US$ 137 no segundo.

Conclusão: O desgaste por dia no trecho final é mais que o dobro do inicial. Parece um convite a ficar até o fim — mas é exatamente o trecho em que o gamma dispara. A Folha de Mesa prefere a faixa do meio, onde o tempo já trabalha e o risco ainda é administrável. Conta simplificada, só para mostrar a forma da curva.

Erros comuns
  • Achar que theta é renda garantida: um dia de movimento ou de alta da implícita apaga semanas de theta.
  • Vender opções muito dentro do dinheiro esperando theta: elas têm pouco valor extrínseco para derreter.
  • Ficar até o último dia “para pegar o theta que acelera” sem medir o gamma que acelera junto.
  • Comparar theta entre ativos sem olhar o tamanho do prêmio e da volatilidade de cada um.
Para levar
  • Theta age só sobre o valor extrínseco do prêmio.
  • O derretimento acelera perto do vencimento (forma aproximada de raiz do tempo).
  • Theta alto e gamma alto andam juntos: um é o preço do outro.
  • A Folha de Mesa busca a faixa onde theta compensa gamma — o meio do caminho.
Teste seu entendimento

3 perguntas · 0 respondidas

Pergunta 1
Pergunta 1 de 3

Qual parte do prêmio sofre o desgaste do tempo?

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Termos desta aula
Estratégias que usam este conceito

Conteúdo educacional e matemático. Exemplos com valores hipotéticos; ações citadas são fictícias e índices reais aparecem com níveis ilustrativos. Não constitui recomendação de investimento, consultoria ou gestão de carteira (CVM/SEC). Veja o Aviso de Riscos.

Veja este conceito com dados reais no simulador — e, se travar, converse com o acompanhamento.

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