Gamma e o risco do vencimento
Gamma mede a velocidade com que o delta muda. Para o vendedor, é a grega do susto: quanto maior o gamma, mais rápido um movimento contra transforma uma posição tranquila numa posição perigosa. O gamma das opções perto do dinheiro cresce muito nos últimos dias antes do vencimento, e isso cria um risco próprio da reta final que vale a pena entender em detalhe.
Gamma em uma frase
Se delta é a velocidade, gamma é a aceleração. Uma opção com gamma 0,05 tem o delta alterado em cerca de 0,05 a cada R$ 1 de movimento do ativo. Com gamma 0,20, a mesma variação de R$ 1 muda o delta em 0,20 — quatro vezes mais.
Quem compra opção tem gamma positivo: os movimentos a favor aceleram o ganho. Quem vende tem gamma negativo: os movimentos contra aceleram a perda. É a assimetria central da venda de prêmio.
Por que o gamma explode no fim
Faltando muitos dias, uma opção no dinheiro ainda pode terminar em qualquer lugar; seu delta reage com calma. Faltando poucas horas, ela está a um passo de valer zero ou de valer o intrínseco inteiro. Um pequeno movimento decide o resultado, e o delta salta de perto de 0 para perto de 1 (ou o contrário) com facilidade.
É por isso que o gamma das opções perto do dinheiro cresce muito na reta final. As opções bem fora do dinheiro também ficam instáveis se o preço se aproximar do strike nos últimos dias. O risco do vencimento é, na prática, o risco de gamma alto num momento em que sobra pouco tempo para reagir.
O que é o risco de “pin” (preço colado no strike)
Quando o ativo termina o último pregão muito perto do strike vendido, o vendedor fica sem saber, até depois do fechamento, se será exercido. Nos EUA, quem tem a opção pode decidir exercer ou não depois do fechamento, e a notícia só chega no dia seguinte. Na B3, o exercício automático usa o preço de fechamento como referência, mas o titular pode pedir para não exercer uma opção dentro do dinheiro ou pedir o exercício de uma no limite.
Num spread, o problema é pior: a perna vendida pode ser exercida e a comprada não, deixando a conta com ações (compradas ou vendidas) durante a noite ou o fim de semana, expostas a um salto de abertura. A solução mais simples é não chegar lá: encerrar antes do último dia.
Gamma e a saída aos 21 dias
A Folha de Mesa manda fechar ou rolar aos 21 DTE, ganhando ou perdendo. O motivo é o gamma. Até ali, o vendedor recolhe theta com uma posição que reage de forma razoavelmente previsível. Depois, a mesma distância de preço passa a mexer muito mais no delta, e a posição pode virar de um dia para o outro.
Ficar mais tempo pode render mais theta por dia, mas o tamanho do susto possível cresce mais rápido do que a recompensa. A regra não diz que o fim é sempre ruim; diz que, repetido muitas vezes, carregar posições na zona de gamma alto expõe o portfólio a perdas grandes e repentinas que a regra prefere não assumir.
Como enxergar o gamma em reais
Uma forma prática de sentir o gamma é estimar a perda para um movimento de, por exemplo, 2 ou 3 reais (ou um desvio do movimento esperado). Uma aproximação usada em mesa: variação do resultado ≈ delta × movimento + ½ × gamma × movimento². O segundo termo é o efeito do gamma — e ele cresce com o quadrado do movimento.
Para movimentos grandes, essa conta também falha, porque o próprio gamma muda. Nesses casos, simule: reprecifique a posição em vários preços e datas. O simulador do Derivoo existe exatamente para isso.
- Gamma de posição vendida: negativo.
- Maior nas opções no dinheiro e perto do vencimento.
- O efeito cresce com o quadrado do movimento.
- A Porta 2 (21 DTE) existe para sair antes da zona de gamma alto.
Ilustrativo: o mesmo susto em duas datas
Conclusão: O mesmo movimento custou mais na reta final e, pior, deixou a posição B quase como 90 ações compradas, quando a A ficou como 60. O próximo real contra em B dói muito mais. Conta aproximada e hipotética, só para mostrar a mecânica.
Na B3, o exercício no vencimento é automático para opções pelo menos R$ 0,01 dentro do dinheiro, tendo o fechamento como referência, e o titular pode pedir o bloqueio. Puts são europeias (exercício só no vencimento); calls podem ser americanas ou europeias, conforme a série.
Nos EUA, a OCC exerce automaticamente opções de ação US$ 0,01 ou mais dentro do dinheiro no vencimento, salvo instrução contrária do titular, que pode ser dada depois do fechamento. Opções de ação são americanas: podem ser exercidas antes, o que aumenta a incerteza perto do strike.
- Achar que, por faltar pouco, o risco é pequeno: perto do strike, faltar pouco é justamente o que deixa o gamma enorme.
- Deixar spreads vencerem com o preço entre os strikes e acordar com ações na conta.
- Medir o risco só pelo delta de hoje, sem simular movimentos maiores.
- Ignorar a Porta 2 porque “só faltam alguns centavos” de lucro.
- Gamma mede a aceleração do delta; para o vendedor, é negativo.
- Cresce muito nas opções perto do dinheiro na reta final.
- O risco de pin e de exercício parcial em spreads mora no último dia.
- A saída aos 21 DTE existe para tirar a posição da zona de gamma alto.
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Revisado em 04/10/2026
Fontes oficiais consultadas
Conteúdo educacional e matemático. Exemplos com valores hipotéticos; ações citadas são fictícias e índices reais aparecem com níveis ilustrativos. Não constitui recomendação de investimento, consultoria ou gestão de carteira (CVM/SEC). Veja o Aviso de Riscos.
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