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InicianteRenda · 100 ações compradas + 1 call vendida

Lançamento coberto (Covered Call)

Combina a posição no ativo com a venda de uma call acima do preço atual. Serve para estudar como o prêmio recebido reduz o preço médio e cria um teto de valorização.

Prêmio sobre ações que você já tem, em troca de um teto de valorização. O risco de queda continua sendo o da ação. O erro clássico é vender a call abaixo do preço médio e travar prejuízo se for exercido.

O que é

Pense em quem tem um apartamento e vende a alguém o direito de comprá-lo por um preço combinado: recebe um valor agora e, se o comprador quiser fechar negócio, entrega o imóvel por aquele preço. A Covered Call faz isso com ações.

A Covered Call (call coberta) é a venda de uma opção de compra sobre ações que o investidor já possui, na proporção de um contrato para cada 100 ações.

A palavra “coberta” indica que a obrigação de entregar as ações está garantida pela posição existente — não há venda a descoberto envolvida.

Como funciona

O investidor tem as ações em carteira e vende uma call com strike acima do preço atual, recebendo o prêmio no momento da abertura.

Se o preço ficar abaixo do strike até o vencimento, a call vira pó e o prêmio permanece com o vendedor.

Se o preço superar o strike, as ações podem ser chamadas (exercidas) pelo strike — o ganho fica limitado ao strike mais o prêmio.

Payoff ilustrativo no vencimento

Curva ilustrativa com prêmios hipotéticos, apenas para estudo da mecânica. Não representa cotações reais nem recomendação.

Ambiente de volatilidade

Mais estudada com IV Rank acima de 30: a call vendida é o seguro cobrado, e seguro rende mais quando está caro. Com IV baixa, o prêmio mal mexe o preço médio.

Gestão mecânica

  1. 1Pela Folha de Mesa: entrada perto de 45 DTE, call vendida entre delta 16 e 20 — longe o bastante do preço para dar folga à ação.
  2. 2Porta 1: recompra da call quando ela tiver perdido 50% do valor. No exemplo, prêmio de US$ 2,50 → recompra a US$ 1,25.
  3. 3Porta 2: aos 21 DTE, recompra ou rolagem da call para o ciclo seguinte, ganhando ou perdendo.
  4. 4Se a ação passar do strike, a regra é rolar só por crédito (para mais tempo ou strike maior). Rolar pagando débito é comprar de volta o teto que foi vendido.
  5. 5O stop olha a posição inteira (ação + call): o limite de perda na ação é definido antes da entrada. A call não protege a queda.

Regras da Folha de Mesa do Derivoo: disciplina mecânica para decidir antes de abrir, não promessa de resultado.

Exemplo ilustrativo

Ativo a US$ 100, call de strike 110 vendida por US$ 2,50 (valores ilustrativos).

Custo das 100 ações: US$ 10.000
Prêmio recebido: US$ 250
Preço efetivo de exposição: US$ 97,50 por ação
Lucro máximo
US$ 1.250 — valorização até o strike (US$ 1.000) + prêmio (US$ 250)
Perda máxima
Substancial: a ação pode cair a zero, amortecida apenas pelo prêmio recebido
Breakeven
US$ 97,50 (preço de compra − prêmio recebido)

Vantagens

  • Gera prêmio sobre posição existente
  • Reduz levemente o preço efetivo
  • Mecânica simples de acompanhar

Desvantagens

  • Teto de valorização
  • Não protege contra quedas relevantes
  • Exige capital para 100 ações

Riscos

  • O risco principal é o da própria ação: uma queda forte gera prejuízo, e o prêmio cobre apenas uma parte pequena.
  • Em uma alta forte, o ganho fica travado no strike e o investidor deixa de capturar a valorização acima dele.
  • Exercício antecipado pode ocorrer perto de datas de dividendos em opções americanas.

Na B3 e nos EUA

BrasilNa B3
  • Na B3, as calls de ações podem ser americanas ou europeias, conforme a série. Confira o estilo na tela da corretora antes de montar.
  • Em geral, quando a ação fica “ex” de um provento em dinheiro, a B3 ajusta o strike das séries. Confira o strike ajustado antes de fazer contas.
  • Ganho com opções na B3 é apurado mês a mês (15% em operações comuns, 20% em day trade). Nem o prêmio nem a venda das ações por exercício da call entram na isenção de R$ 20 mil das ações. Confirme o seu caso com um contador.
  • A liquidez de opções na B3 se concentra em poucos papéis, no vencimento mais próximo e nos strikes perto do preço: confira volume e spread de cada perna antes de montar.
EUANos EUA
  • Nos EUA, cada contrato de ação ou ETF vale 100 ações e o exercício é americano: a perna vendida pode ser atribuída em qualquer dia útil até o vencimento.
  • Nos EUA, dividendo ordinário não ajusta o strike. Perto da data “ex”, uma call vendida dentro do dinheiro pode ser exercida na véspera por quem quer receber o dividendo.
  • Para residente no Brasil, o resultado no exterior segue a Lei 14.754/2023: 15% ao ano, com a variação cambial entrando na conta. Confirme a apuração com um contador.

Erros comuns

  • Achar que o prêmio é proteção. No exemplo, ele cobre US$ 2,50 por ação; uma queda de 20% na ação custa US$ 20,00 por ação.
  • Vender call com strike abaixo do preço médio da ação e, se for exercido, travar prejuízo na ação.
  • Nos EUA, esquecer a data “ex” de dividendo com a call dentro do dinheiro e ser exercido na véspera, perdendo o dividendo. Na B3, o ajuste do strike reduz esse incentivo, mas uma call americana ainda pode ser exercida antes.
  • Escolher a call pelo maior prêmio, e não pela distância (delta): prêmio gordo quase sempre significa strike colado no preço.

Perguntas frequentes

Covered Call protege contra queda?

Não. O prêmio recebido amortece apenas uma parte pequena da queda. A exposição ao ativo continua praticamente integral.

O que acontece se a ação subir muito?

As ações podem ser exercidas pelo strike. O resultado fica limitado à valorização até o strike somada ao prêmio recebido.

Preciso ter as ações?

Sim, na proporção de 100 ações por contrato. Sem elas a posição deixa de ser coberta e o perfil de risco muda completamente.

Conteúdo estritamente educacional (CVM/SEC). O Derivoo não presta consultoria nem recomendação de valores mobiliários; os números apresentados são ilustrativos. Leia compliance e riscos.