Fundamentos das opções · Aula 2 de 8

Calls e puts

InicianteBrasilEUAB3 e EUA9 min de leitura

Existem só dois tipos de opção, mas cada um pode ser comprado ou vendido. Isso dá quatro posições básicas, e todas as estratégias — de uma trava simples a um iron condor — são combinações delas, às vezes junto com o próprio ativo. Entender bem essas quatro peças é o que permite ler qualquer montagem mais tarde.

A call: direito de comprar

O titular de uma call pode comprar o ativo pelo strike até o vencimento. Ela fica valiosa quando o ativo sobe acima do strike, porque dá para comprar mais barato do que o mercado cobra.

No vencimento, a call vale a diferença entre o preço do ativo e o strike, se essa diferença for positiva. Se o ativo estiver abaixo do strike, ela vale zero: ninguém exerce o direito de comprar por um preço pior que o da tela.

Quem vende a call recebe o prêmio e fica com a obrigação de entregar o ativo pelo strike. Se o ativo disparar, o vendedor sem a ação em carteira tem de comprá-la cara para entregar barato.

A put: direito de vender

O titular de uma put pode vender o ativo pelo strike até o vencimento. Ela fica valiosa quando o ativo cai abaixo do strike, porque garante uma venda acima do preço de mercado.

No vencimento, a put vale a diferença entre o strike e o preço do ativo, se positiva. Acima do strike, vale zero.

Quem vende a put recebe o prêmio e pode ser obrigado a comprar o ativo pelo strike. É a posição clássica da seguradora: recebe hoje e paga a indenização se o ativo cair muito.

As quatro posições básicas

Cada posição tem um formato de risco próprio. Vale decorar este quadro, porque ele se repete em tudo o que vem depois.

  • Call comprada: paga prêmio; ganha se o ativo subir além do breakeven; perda máxima = prêmio pago.
  • Put comprada: paga prêmio; ganha se o ativo cair abaixo do breakeven; perda máxima = prêmio pago.
  • Call vendida: recebe prêmio; ganha se o ativo cair, ficar parado ou subir pouco (sem passar do breakeven); risco teoricamente ilimitado na alta, se descoberta.
  • Put vendida: recebe prêmio; ganha se o ativo subir, ficar parado ou cair pouco (sem passar do breakeven); risco grande na queda, até o ativo chegar a zero.

Ponto de equilíbrio no vencimento

O breakeven é o preço do ativo no vencimento em que a posição não ganha nem perde. Na call, é o strike mais o prêmio. Na put, é o strike menos o prêmio. Vale para quem comprou e para quem vendeu: o ponto é o mesmo, o lado do ganho é que muda.

Esse número mostra quanto o ativo precisa andar para o comprador sair do zero. Uma call barata e muito acima do preço atual pode parecer uma pechincha, mas o breakeven fica longe. Para o vendedor, o breakeven é a margem de folga antes de começar a perder.

Antes do vencimento, o preço é outro

As contas de vencimento são a fotografia final. Antes disso, a opção ainda tem valor de tempo e reage à volatilidade. Uma call pode estar no prejuízo mesmo com o ativo subindo, se a alta for lenta e o tempo estiver corroendo o prêmio.

Por isso o gráfico de payoff no vencimento é só metade da história. A aula sobre prêmio intrínseco e extrínseco mostra a outra metade.

Exemplo ilustrativo
Valores hipotéticos

Call e put compradas em XYZ (ilustrativo)

XYZ negocia a US$ 100. Call de strike 105 custa US$ 2,00. Put de strike 95 custa US$ 1,50. Contrato de 100 ações.
Call: custo 2,00 × 100 = US$ 200. Breakeven = 105 + 2,00 = US$ 107.
Se XYZ fechar a US$ 112 no vencimento: call vale 112 − 105 = 7,00 → US$ 700. Resultado: 700 − 200 = +US$ 500.
Se XYZ fechar a US$ 104: call vale zero. Resultado: −US$ 200.
Put: custo 1,50 × 100 = US$ 150. Breakeven = 95 − 1,50 = US$ 93,50.
Se XYZ fechar a US$ 90: put vale 95 − 90 = 5,00 → US$ 500. Resultado: 500 − 150 = +US$ 350.
Se XYZ fechar a US$ 96: put vale zero. Resultado: −US$ 150.

Conclusão: O comprador só ganha se o ativo passar do breakeven até o vencimento, não apenas do strike. Quem vendeu essas mesmas opções teria os resultados com o sinal trocado.

Na B3 × Nos EUA
BrasilNa B3

Na B3, a letra no código da opção indica o tipo e o mês: de A a L são calls (janeiro a dezembro) e de M a X são puts (janeiro a dezembro). Assim, A é call de janeiro e M é put de janeiro. As puts de ações são de estilo europeu (exercício só no vencimento); as calls podem ser americanas ou europeias, conforme a série. Em muitos papéis as puts têm menos negócios que as calls: confira o volume da série.

EUANos EUA

Nos EUA, o símbolo padronizado traz a raiz, a data (AAMMDD), a letra C ou P e o strike. Opções padronizadas de ações são de estilo americano: podem ser exercidas em qualquer dia útil até o vencimento.

Erros comuns
  • Medir o ganho pelo strike e não pelo breakeven: o prêmio pago também precisa ser recuperado.
  • Vender call sem ter a ação e sem limite de perda, sem perceber que a alta não tem teto.
  • Achar que a put vendida é tranquila porque “a ação não vai cair tanto”: o risco vai até o ativo valer zero.
  • Usar a conta de vencimento para julgar a posição no meio do caminho, ignorando tempo e volatilidade.
Para levar
  • Call = direito de comprar; put = direito de vender.
  • Comprador arrisca o prêmio; vendedor recebe o prêmio e assume o risco do movimento.
  • Breakeven da call = strike + prêmio; da put = strike − prêmio.
  • Toda estratégia é uma combinação das quatro posições básicas.
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4 perguntas · 0 respondidas

Pergunta 1
Pergunta 1 de 4

Uma call de strike R$ 30 custou R$ 1,20. Qual é o breakeven no vencimento?

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Termos desta aula
Estratégias que usam este conceito

Revisado em 04/10/2026

Conteúdo educacional e matemático. Exemplos com valores hipotéticos; ações citadas são fictícias e índices reais aparecem com níveis ilustrativos. Não constitui recomendação de investimento, consultoria ou gestão de carteira (CVM/SEC). Veja o Aviso de Riscos.

Veja este conceito com dados reais no simulador — e, se travar, converse com o acompanhamento.

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