Sizing e buying power
Escolher a estratégia parece a decisão mais importante, mas quem decide se você continua operando daqui a dois anos é o tamanho de cada posição. Uma boa estrutura com tamanho exagerado vira aposta; uma estrutura comum com tamanho pequeno vira processo. Nesta aula você aprende a medir o custo real de cada posição (o BPR), a aplicar os limites da Folha de Mesa e a entender por que eles existem.
Buying power e BPR: o capital que fica preso
Buying power é o quanto a corretora permite que você comprometa para abrir posições, segundo as regras de garantia dela e da bolsa. Cada posição aberta consome uma fatia desse total. Essa fatia é o BPR (buying power reduction, ou redução de poder de compra): o capital que fica bloqueado enquanto a posição existir. Nas corretoras brasileiras o mesmo conceito costuma aparecer com outros nomes, como garantia exigida ou limite operacional.
Em estruturas de risco definido, como uma trava de alta com put, o BPR fica muito perto da perda máxima: distância entre os strikes, menos o crédito recebido, vezes a quantidade. É um número conhecido no momento da entrada e não muda até você fechar.
Em estruturas de risco indefinido, como a venda de uma put sem a compra de proteção, o BPR vem de uma fórmula da corretora (ou da câmara, na B3). Ele muda todo dia com o preço do ativo e com a volatilidade. E, importante: o BPR de uma posição indefinida não é a perda máxima — é só a garantia que o sistema considera suficiente hoje.
A regra da Folha: 1% a 3% por operação em risco definido
Na Folha de Mesa do Derivoo, uma operação de risco definido não pode ter perda máxima maior que 1% a 3% da conta. É um limite mecânico, que você calcula antes de enviar a ordem, e não uma previsão de resultado.
O porquê está na matemática da recuperação. Perder um pedaço da conta exige ganhar um pedaço maior para voltar ao ponto de partida, porque o ganho seguinte incide sobre uma base menor. Com posições pequenas, uma sequência de perdas machuca, mas não tira você do jogo.
- Perder 10% exige ganhar cerca de 11,1% para voltar (100 → 90 → 100).
- Perder 20% exige ganhar 25% (100 → 80 → 100).
- Perder 50% exige ganhar 100% (100 → 50 → 100).
- Com 2% de risco por operação, dez perdas máximas seguidas ainda deixam a conta em cerca de 82% do valor inicial (0,98 elevado a 10 ≈ 0,817).
Risco indefinido: teto de 5% e um cuidado extra
Para posições de risco indefinido, como strangle vendido ou put vendida a descoberto, a Folha fixa um teto de 5% da conta por operação. Como a perda máxima não tem um número fechado, a referência prática é o capital que a posição bloqueia: o BPR não pode passar de 5% da conta.
Parece estranho o limite ser maior justamente onde o risco é maior. Os dois números medem coisas diferentes: em risco definido, 3% é a pior perda possível; em indefinido, 5% é a garantia exigida, e a perda real pode superá-la num salto de preço. É por isso que a Porta 3 (stop em 2× o crédito) não é opcional nessas estruturas.
Na prática, quem está começando costuma ficar bem abaixo desse teto. O limite é o máximo permitido, não uma meta a atingir.
O teto da carteira: no máximo 50% alocado com VIX acima de 20
Além do limite por operação, existe o limite da carteira inteira. Pela Folha, quando o VIX está acima de 20, no máximo 50% do buying power pode estar alocado. A outra metade fica livre.
Essa reserva tem três funções. Em mercado agitado, os preços andam mais e as exigências de garantia das posições indefinidas tendem a subir — às vezes no mesmo dia. Ajustes defensivos, como rolar o lado não testado, também consomem capital. E uma conta sem folga pode ser forçada pela corretora a encerrar posições no pior preço do dia.
Abaixo de VIX 20, a Folha não fixa outro número. A lógica, porém, continua: buying power totalmente usado significa que qualquer aumento de garantia vira problema imediato.
E quem opera só na B3? A regra da Folha é escrita com o VIX como gatilho. Para carteiras só na B3, a Folha não fixa um gatilho pelo VXBR; a lógica de manter reserva continua valendo, porque garantia também sobe quando o mercado brasileiro fica agitado.
O roteiro antes de enviar a ordem
Sizing é uma conta de três minutos que deve acontecer antes do clique, não depois. Faça sempre na mesma ordem para virar hábito.
- 1. Calcule a perda máxima por unidade (em risco definido) ou o BPR por unidade (em indefinido).
- 2. Multiplique o patrimônio da conta pelo limite: 1–3% (definido) ou até 5% (indefinido).
- 3. Divida o limite pelo risco por unidade e arredonde para baixo.
- 4. Some o BPR desta posição ao das posições abertas e confira o teto da carteira.
- 5. Anote os números no diário antes de enviar a ordem.
Dimensionando uma trava de alta com put em ABCD3 (valores ilustrativos)
Conclusão: O tamanho saiu de uma conta, não de uma sensação. A mesma estrutura pode ter 700 ou 2.100 opções dependendo da faixa escolhida — e nenhuma das duas depende de você estar confiante no papel.
- Dimensionar pelo crédito recebido em vez da perda máxima: um crédito “bonito” pode esconder uma perda máxima de vários por cento da conta.
- Tratar o BPR de uma posição indefinida como a perda máxima: ele é só a garantia de hoje e pode ser superado num salto de preço.
- Aumentar o tamanho depois de uma sequência de ganhos para “aproveitar a fase”; a amostra não sabe que você está numa fase.
- Usar quase todo o buying power e descobrir, no dia de estresse, que não há folga para ajustar nem para absorver o aumento de garantia.
- BPR é o capital que a posição prende; somado, revela a alavancagem real da carteira.
- Risco definido: perda máxima de 1% a 3% da conta por operação, pela Folha de Mesa.
- Risco indefinido: BPR de no máximo 5% da conta, com stop obrigatório, porque a perda pode passar da garantia.
- Com VIX acima de 20, no máximo 50% do buying power alocado; a reserva é o que permite defender e sobreviver.
- Sizing é calculado antes da ordem e anotado no diário.
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Revisado em 04/10/2026
Conteúdo educacional e matemático. Exemplos com valores hipotéticos; ações citadas são fictícias e índices reais aparecem com níveis ilustrativos. Não constitui recomendação de investimento, consultoria ou gestão de carteira (CVM/SEC). Veja o Aviso de Riscos.
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