Volatilidade e probabilidade · Aula 6 de 9

Probabilidade de lucro (POP)

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Probabilidade de lucro (POP, de probability of profit) é a chance estimada de uma posição terminar o vencimento com qualquer resultado positivo, nem que seja um centavo. Plataformas a calculam a partir do modelo de precificação e da IV. É um número útil e muito mal interpretado: POP alta parece conforto, mas costuma vir junto com ganho pequeno e perda grande.

De onde sai a POP

O modelo usa a IV para desenhar uma distribuição de preços possíveis no vencimento. A POP é a fatia dessa distribuição em que a posição fecha no positivo.

O ponto que decide é o breakeven, não o strike. Numa put vendida, o resultado só fica negativo abaixo de strike − crédito. Por isso a POP de uma estrutura vendida é um pouco maior que a chance de o strike terminar fora do dinheiro: o crédito empurra o breakeven para longe.

Numa estrutura comprada acontece o contrário. O comprador de uma call precisa que o ativo passe do strike mais o prêmio pago, e a POP fica menor que a chance de o strike terminar dentro do dinheiro.

O trade-off que nenhuma estrutura escapa

Vender mais longe aumenta a POP e diminui o crédito. Vender mais perto aumenta o crédito e diminui a POP. Não existe strike com POP alta e crédito alto ao mesmo tempo, porque o mercado precifica as duas coisas juntas.

É uma simetria, não um defeito. Se a chance de ganhar é grande, o ganho é pequeno em relação à perda possível. Quem compra opção barata e longe vive o espelho: POP baixa, perda pequena, ganho grande quando acerta.

Valor esperado: a conta que a POP não faz

Para saber se uma estrutura faz sentido, a chance precisa ser multiplicada pelo tamanho. Numa versão simplificada, com só dois resultados: valor esperado = POP × ganho − (1 − POP) × perda.

Num mercado precificado com justiça e antes de custos, essa conta tende a ficar perto de zero. A POP alta é compensada por uma perda maior quando dá errado. A vantagem que o vendedor procura não vem da POP. Ele aposta que a IV cobrada costuma ficar acima da oscilação que acontece de fato (o prêmio de risco de volatilidade, que não é garantido) e conta com uma gestão que corta perdas antes do pior cenário.

POP no vencimento × gestão antes dele

A POP clássica supõe que a posição fica aberta até o último dia. A Folha de Mesa do Derivoo não faz isso: realiza o lucro com 50% do crédito, encerra ou rola aos 21 dias e limita a perda a 2× o crédito.

Essas regras mudam o formato dos resultados: ganhos menores e mais frequentes, perdas cortadas antes do máximo teórico. Por isso a POP mostrada na tela é uma referência de partida, não a taxa de acerto do seu processo. O Derivoo não promete taxa de acerto; o que dá para medir é a sua disciplina em seguir as regras.

Os limites do número

A POP é tão boa quanto a IV que a alimenta. Se o mercado subestima a oscilação, a POP superestima a chance de ganhar.

O modelo também trata o caminho como irrelevante, mas não é. Uma posição pode terminar no lucro e, no meio do caminho, ter batido no stop. Saltos de preço depois de eventos não respeitam a curva.

  • POP diz: a chance de terminar acima de zero, segundo o modelo.
  • POP não diz: o tamanho do ganho, o tamanho da perda, nem o susto no caminho.
  • POP alta com tamanho grande é o caminho mais curto para uma perda que apaga meses.
Exemplo ilustrativo
Valores hipotéticos

POP, breakeven e valor esperado (ilustrativo)

XYZ a US$ 100. Put de strike US$ 90 vendida, delta −0,16, crédito de US$ 1,50.
Breakeven: 90 − 1,50 = US$ 88,50. Pelo atalho do delta, ≈ 84% de chance de o strike terminar fora (aproximação; ver a aula Delta como probabilidade). O crédito leva o prejuízo para abaixo de US$ 88,50, o que aumenta a POP.
Agora uma trava de alta com put mais perto do preço (vende a 95, compra a 90) com crédito de US$ 1,50: ganho máximo 1,50 × 100 = US$ 150; perda máxima (5 − 1,50) × 100 = US$ 350.
Suponha, para a conta, POP de 70% e só dois resultados possíveis: 0,70 × 150 − 0,30 × 350 = 105 − 105 = US$ 0.
Com POP de 80% e os mesmos valores: 0,80 × 150 − 0,20 × 350 = 120 − 70 = US$ 50. Mas o mercado só pagaria US$ 1,50 por essa trava se achasse que a chance real é menor.

Conclusão: A POP sozinha não diz se a operação é boa. O que importa é a POP multiplicada pelos tamanhos, e um mercado eficiente tende a deixar essa conta perto de zero. A estrutura só faz sentido com IV relativamente cara, tamanho pequeno e gestão disciplinada.

Erros comuns
  • Confundir POP alta com risco baixo. Normalmente vem junto com perda máxima grande.
  • Achar que a POP da tela é a sua taxa de acerto. Ela supõe segurar até o vencimento e ignora a sua gestão.
  • Aumentar o tamanho porque “a chance é de 85%”. Os 15% restantes decidem a conta.
  • Esquecer que a POP depende da IV: se a IV estiver baixa demais, a POP está otimista demais.
Para levar
  • POP = chance de terminar acima de zero no vencimento, segundo o modelo.
  • O crédito empurra o breakeven para longe, e por isso a POP de uma put vendida fica acima da chance de o strike terminar fora do dinheiro. Como o delta é só uma aproximação dessa chance, 1 − |delta| serve de régua rápida, não de número exato.
  • POP e tamanho do ganho andam em direções opostas: é simetria de preço.
  • Valor esperado = chance × tamanho. A POP é só metade da conta.
  • Sizing (1–3% em risco definido, até 5% em indefinido) importa mais que a POP.
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Pergunta 1
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Put vendida com strike R$ 30 e crédito de R$ 0,80. Abaixo de qual preço, no vencimento, o resultado fica negativo?

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Termos desta aula
Estratégias que usam este conceito

Revisado em 04/10/2026

Conteúdo educacional e matemático. Exemplos com valores hipotéticos; ações citadas são fictícias e índices reais aparecem com níveis ilustrativos. Não constitui recomendação de investimento, consultoria ou gestão de carteira (CVM/SEC). Veja o Aviso de Riscos.

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