Probabilidade de lucro (POP)
Probabilidade de lucro (POP, de probability of profit) é a chance estimada de uma posição terminar o vencimento com qualquer resultado positivo, nem que seja um centavo. Plataformas a calculam a partir do modelo de precificação e da IV. É um número útil e muito mal interpretado: POP alta parece conforto, mas costuma vir junto com ganho pequeno e perda grande.
De onde sai a POP
O modelo usa a IV para desenhar uma distribuição de preços possíveis no vencimento. A POP é a fatia dessa distribuição em que a posição fecha no positivo.
O ponto que decide é o breakeven, não o strike. Numa put vendida, o resultado só fica negativo abaixo de strike − crédito. Por isso a POP de uma estrutura vendida é um pouco maior que a chance de o strike terminar fora do dinheiro: o crédito empurra o breakeven para longe.
Numa estrutura comprada acontece o contrário. O comprador de uma call precisa que o ativo passe do strike mais o prêmio pago, e a POP fica menor que a chance de o strike terminar dentro do dinheiro.
O trade-off que nenhuma estrutura escapa
Vender mais longe aumenta a POP e diminui o crédito. Vender mais perto aumenta o crédito e diminui a POP. Não existe strike com POP alta e crédito alto ao mesmo tempo, porque o mercado precifica as duas coisas juntas.
É uma simetria, não um defeito. Se a chance de ganhar é grande, o ganho é pequeno em relação à perda possível. Quem compra opção barata e longe vive o espelho: POP baixa, perda pequena, ganho grande quando acerta.
Valor esperado: a conta que a POP não faz
Para saber se uma estrutura faz sentido, a chance precisa ser multiplicada pelo tamanho. Numa versão simplificada, com só dois resultados: valor esperado = POP × ganho − (1 − POP) × perda.
Num mercado precificado com justiça e antes de custos, essa conta tende a ficar perto de zero. A POP alta é compensada por uma perda maior quando dá errado. A vantagem que o vendedor procura não vem da POP. Ele aposta que a IV cobrada costuma ficar acima da oscilação que acontece de fato (o prêmio de risco de volatilidade, que não é garantido) e conta com uma gestão que corta perdas antes do pior cenário.
POP no vencimento × gestão antes dele
A POP clássica supõe que a posição fica aberta até o último dia. A Folha de Mesa do Derivoo não faz isso: realiza o lucro com 50% do crédito, encerra ou rola aos 21 dias e limita a perda a 2× o crédito.
Essas regras mudam o formato dos resultados: ganhos menores e mais frequentes, perdas cortadas antes do máximo teórico. Por isso a POP mostrada na tela é uma referência de partida, não a taxa de acerto do seu processo. O Derivoo não promete taxa de acerto; o que dá para medir é a sua disciplina em seguir as regras.
Os limites do número
A POP é tão boa quanto a IV que a alimenta. Se o mercado subestima a oscilação, a POP superestima a chance de ganhar.
O modelo também trata o caminho como irrelevante, mas não é. Uma posição pode terminar no lucro e, no meio do caminho, ter batido no stop. Saltos de preço depois de eventos não respeitam a curva.
- POP diz: a chance de terminar acima de zero, segundo o modelo.
- POP não diz: o tamanho do ganho, o tamanho da perda, nem o susto no caminho.
- POP alta com tamanho grande é o caminho mais curto para uma perda que apaga meses.
POP, breakeven e valor esperado (ilustrativo)
Conclusão: A POP sozinha não diz se a operação é boa. O que importa é a POP multiplicada pelos tamanhos, e um mercado eficiente tende a deixar essa conta perto de zero. A estrutura só faz sentido com IV relativamente cara, tamanho pequeno e gestão disciplinada.
- Confundir POP alta com risco baixo. Normalmente vem junto com perda máxima grande.
- Achar que a POP da tela é a sua taxa de acerto. Ela supõe segurar até o vencimento e ignora a sua gestão.
- Aumentar o tamanho porque “a chance é de 85%”. Os 15% restantes decidem a conta.
- Esquecer que a POP depende da IV: se a IV estiver baixa demais, a POP está otimista demais.
- POP = chance de terminar acima de zero no vencimento, segundo o modelo.
- O crédito empurra o breakeven para longe, e por isso a POP de uma put vendida fica acima da chance de o strike terminar fora do dinheiro. Como o delta é só uma aproximação dessa chance, 1 − |delta| serve de régua rápida, não de número exato.
- POP e tamanho do ganho andam em direções opostas: é simetria de preço.
- Valor esperado = chance × tamanho. A POP é só metade da conta.
- Sizing (1–3% em risco definido, até 5% em indefinido) importa mais que a POP.
4 perguntas · 0 respondidas
Terminou a leitura? Marque a aula para acompanhar seu avanço na trilha.
Revisado em 04/10/2026
Conteúdo educacional e matemático. Exemplos com valores hipotéticos; ações citadas são fictícias e índices reais aparecem com níveis ilustrativos. Não constitui recomendação de investimento, consultoria ou gestão de carteira (CVM/SEC). Veja o Aviso de Riscos.
Veja este conceito com dados reais no simulador — e, se travar, converse com o acompanhamento.
Começar Agora
